Atualmente, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), existem vacinas disponíveis para proteger contra mais de 26 doenças infecciosas. Abaixo segue descrição das doenças infecciosas para as quais a sanofi pasteur Brasil comercializa vacinas:
Clique em uma das doenças abaixo para conhecê-las mais detalhadamente
Doenças causadas pelo Haemophilus influenzae Tipo b e Doença Invasiva
É uma doença bacteriana aguda causada por cepas toxigênicas de Corynebacterium diphtheriae e, ocasionalmente, C. ulcerans. É transmitida por gotículas de secreção respiratória e contato pessoal. As lesões cutâneas são importantes na transmissão da doença.1
A difteria afeta as membranas das mucosas do trato respiratório (difteria respiratória), a pele (difteria cutânea) e, eventualmente, outras partes (olhos, nariz ou vagina). Os sintomas da difteria respiratória consistem em dor de garganta com febre baixa e uma membrana aderente nas amígdalas, faringe ou nariz. Na doença grave, geralmente ocorre inchaço do pescoço. A difteria cutânea se manifesta na forma de lesões infectadas da pele sem um aspecto característico. As complicações comuns da difteria respiratória são miocardite, polineurite e obstrução das vias aéreas; 5% a 10% dos casos respiratórios são fatais. Na difteria cutânea, complicações e mortes são muito menos freqüentes.2
Na era pré-vacinas, as crianças ficavam exposta a maior risco de difteria respiratória. Recentemente, a difteria tem afetado principalmente adultos, em casos esporádicos relatados nos EUA, e em grandes surtos na Rússia e Novos Estados Independentes da antiga União Soviética.2
A difteria continua sendo uma doença séria em todo o mundo. Em toda a Rússia e nos países independentes da antiga União Soviética ocorreram grandes surtos da difteria na década de 90. A maior parte dos casos com risco à vida ocorreu em pessoas não imunizadas ou imunizadas de forma inadequada. As pessoas que viajam para áreas endêmicas da doença correm maior risco de exposição às cepas toxigênicas do Corynebacterium diphtheriae quando a viagem se estende por longos períodos, quando há contato com crianças ou em condições de aglomeração ou que promovem o compartilhamento de secreções respiratórias.1
Áreas com difteria endêmica conhecida incluem a África (Argélia, Egito e países da região subsaariana); Américas (Brasil, Colômbia, República Dominicana, Equador, Haiti e Paraguai); Ásia/Pacífico Sul (Afeganistão, Bangladesh, Butão, Cambodja, China, Índia, Indonésia, Laos, Mongólia, Burma (Myanmar), Nepal, Paquistão, Papua Nova Guiné, Filipinas, Tailândia e Vietnã); Oriente Médio (Irã, Iraque, Síria, Turquia e Iêmen); Europa (Albânia e todos os países da antiga União Soviética). É possível que tenham sido implementadas medidas de controle, porém, o risco de difteria em todas estas áreas permanece.1
O tétano é uma doença aguda causada pelo bacilo anaeróbico Clostridium tetani, comumente encontrado na natureza sob a forma de esporo. Os sintomas clínicos são causados pela ação de uma neurotoxina produzida pela bactéria na porta de entrada da infecção, como por exemplo, em feridas sujas ou no cordão umbilical, se este for cortado com um instrumento não esterilizado. A doença é caracterizada por rigidez muscular e espasmos dolorosos que freqüentemente têm início nos músculos mandibulares e do pescoço.1 À medida que a doença progride, estímulos leves podem desencadear atividade tipo convulsão tetânica generalizada que contribui para complicações graves e eventualmente morte, a menos que seja administrado tratamento de suporte.2
As lesões consideradas "propensas ao tétano" são feridas contaminadas com sujeiras, fezes ou saliva, feridas profundas, queimaduras, lesões por esmagamento ou com tecido necrosado. No entanto, o tétano também foi associado a feridas superficiais aparentemente limpas, procedimentos cirúrgicos, picadas de insetos, infecções dentais, infecções e feridas crônicas e uso de medicamento intravenoso. Em 5%-10% dos casos relatados nos Estados Unidos, não foi identificada nenhuma ferida anterior.3
O tétano é um problema de saúde mundial, pois os esporos do C. tetani são onipresentes. Esta doença ocorre quase que exclusivamente em pessoas que não foram adequadamente imunizadas. Nos países em desenvolvimento, o tétano em bebês nascidos de mães não vacinadas (tétano neonatal) é a forma mais comum da doença.3
O tétano pode ser prevenido através da imunização com vacinas contendo toxóide tetânico (TT). O tétano neonatal pode ser prevenido através da imunização de mulheres em idade fértil com o toxóide tetânico grávidas ou não. Isto protege a mãe e, através da transferência de anticorpos antitetânicos para o feto, também seu bebê. Além disso, práticas de higiene durante o trabalho de parto também são importantes para prevenir o tétano neonatal e maternal. As pessoas que se recuperam do tétano não têm imunidade natural e podem ser infectadas novamente, motivo pelo qual precisam ser imunizadas.3
A Pertussis, popularmente conhecida como coqueluche, causada pela bactéria Bordetella pertussis é uma doença respiratória altamente contagiosa. Manifesta-se tipicamente em crianças com espasmos paroxísticos de tosse grave, guinchos e vômito pós-tosse. As principais complicações são mais comuns em bebês e crianças pequenas e incluem hipóxia, apnéia, pneumonia, convulsões, encefalopatia e desnutrição. Crianças pequenas também podem morrer devido à coqueluche. Em 2003, 13 crianças não vacinadas ou crianças muito pequenas para serem vacinadas morreram nos Estados Unidos.1
A transmissão ocorre através do contato direto com secreções das membranas de mucosas respiratórias de pessoas infectadas. Pessoas de todas as faixas etárias podem ser infectadas. Tal como o sarampo, a coqueluche é altamente contagiosa, sendo que até 90% dos contatos familiares suscetíveis desenvolvem a doença clínica após a exposição a um caso índice (primeiro entre vários casos de natureza similar e epidemiologicamente relacionados). Adolescentes e adultos se tornam mais suscetíveis a medida que a imunidade diminui.1
A circulação da B. pertussis ocorre em todo o mundo, porém, as taxas mais elevadas da doença ocorrem entre crianças com mais idade, nos países em que há uma baixa cobertura da vacinação. Em países desenvolvidos, a doença em sua forma grave é normalmente limitada a bebês não vacinados. A imunidade adquirida com a vacinação infantil, bem como a partir da doença natural, diminui com o tempo de modo que os adolescentes e adultos podem ser infectados ou reinfectados.2
Esta doença resulta em alta morbidade e mortalidade em muitos países a cada ano. Nos Estados Unidos, são relatados 5.000 a 7.000 casos a cada ano. A incidência da coqueluche tem aumentado constantemente desde os anos 80. A incidência em 2002 era de 3,01/100.000 com 8.296 casos de coqueluche.1
O Haemophilus influenzae tipo b (Hib) causa meningite e outras infecções bacterianas graves (por exemplo, pneumonia, bacteremia, artrite séptica e epiglotite), primariamente entre bebês e crianças menores de 5 anos de idade. Como a vacina contra o Hib é amplamente usada nos Estados Unidos, a maior taxa de doença invasiva por Hib relatada ocorre atualmente entre bebês muito novos que ainda não foram integralmente vacinados (menores de 6 meses de idade); a incidência entre bebês e crianças entre 1-4 anos de idade é muito menor que entre bebês menores que 1 ano de idade. A doença é incomum em qualquer pessoa com idade igual ou superior a 5 anos.1
Nos Estados Unidos, antes da introdução da vacina contra Hib, o Haemophilus influenzae tipo b era a principal causa da meningite bacteriana entre crianças menores de cinco anos de idade. A meningite é uma infecção da membrana de revestimento do cérebro e da medula espinhal que pode levar ao comprometimento permanente do cérebro e surdez. A doença por Hib também pode causar pneumonia, edema de glote, bacteremia e até morte. Nos Estados Unidos, antes da vacina contra o Hib, cerca de 20.000 crianças com menos de cinco anos de idade contraiam, anualmente, o Haemophilus influenzae tipo b, e aproximadamente 1.000 indivíduos morriam.2
As vacinas contra o Hib são seguras e eficazes, mesmo quando administradas no início da infância. Fazem parte dos programas de vacinação infantil de rotina em mais de 90 países, em todas as regiões do mundo. Por este motivo, a doença por Hib invasiva foi praticamente eliminada em vários países industrializados e sua incidência foi drasticamente reduzida em algumas partes dos países em desenvolvimento. No entanto, até o momento, a imunização contra esta doença atingiu apenas uma fração de crianças que vive em países de baixa renda. Devido a sua segurança e eficácia comprovada, as vacinas conjugadas contra o Hib devem ser incluídas em todos os programas de imunização infantil de rotina.3
A poliomielite (pólio) é uma doença viral altamente infecciosa, causada pelo poliovírus, membro do gênero Enterovírus, da família Picornaviridae. Há três sorotipos de poliovírus imunologicamente distintos e todos patogênicos ao homem: tipo 1, tipo 2 e tipo 3. Esta doença afeta principalmente crianças pequenas. O vírus é transmitido através de água e alimentos contaminados, e se multiplica no intestino de onde pode invadir o sistema nervoso. Até 95% das pessoas infectadas pelo poliovírus são assintomáticas, porém excretam o vírus em suas fezes, transmitindo assim a infecção para outras pessoas.1,2
Certa de 4% a 8% das pessoas infectadas apresentam sintomas menores, tais como febre, fadiga, náusea, dor de cabeça, sintomas do tipo gripe, rigidez no pescoço e nas costas e dor nos membros, que freqüentemente se resolvem completamente. Menos de 1% dos casos de pólio resultam em paralisia permanente dos membros (geralmente as pernas). Entre os que sofrem paralisia, 5% a 10% morrem quando a paralisia atinge os músculos respiratórios.2
Na era pré-vacinação, a infecção por vírus da poliomielite era comum e as epidemias ocorriam no verão e no outono nas áreas de clima temperado. A incidência de poliomielite reduziu rapidamente após a obtenção da licença da vacina inativada contra a poliomielite, em 1955, e a vacina oral contra a poliomielite, na década de 60. Os últimos casos de transmissão indígena da poliomielite nos Estados Unidos ocorreram em 1979.3
Embora o programa de erradicação tenha eliminado a poliomielite no hemisfério ocidental, onde o último caso associado ao vírus da poliomielite selvagem foi detectado em 1991, surtos causados pelo poliovírus do tipo 1, derivado da vacina, ocorreram na República Dominicana e no Haiti em 2000-2001, e nas Filipinas em 2001. Um surto causado pelo poliovírus tipo 2 ocorreu em Madagascar em 2002. Em 2003-2004, ocorreram surtos de poliomielite em vários países do oeste e centro africano após a importação dos poliovírus selvagens tipo 1 e 3 da Nigéria.3
Apesar desses surtos recentes, a iniciativa global de erradicação da poliomielite reduziu o número de casos de poliomielite relatados em todo o mundo em aproximadamente 99% desde meados dos anos 80 e a erradicação da doença em todo o mundo parece viável em um futuro próximo. 3
A hepatite A é uma inflamação do fígado causada pelo vírus da hepatite A (VHA). As manifestações clínicas da infecção pelo VHA variam em termos de gravidade clínica desde assintomáticas, doença leve que dura 1-2 semanas até uma doença gravemente incapacitante que persiste por vários meses.1
O período médio de incubação do vírus da hepatite A é de 28 dias (faixa de 15-50 dias). A hepatite A apresenta tipicamente um início rápido dos sintomas que podem incluir febre, mal-estar, anorexia, náusea, desconforto abdominal, urina escura e icterícia. A probabilidade de apresentar sintomas com infecção pelo VHA está relacionada à idade da pessoa infectada. Em crianças menores de 6 anos de idade, a maior parte das infecções (70%) é assintomática. Não há uma infecção crônica ou de longo prazo associada à hepatite A, mas 10% das pessoas infectadas apresentam sintomas prolongados ou de recidiva em um período de 6 a 9 meses. A taxa geral de caso-fatalidade entre casos relatados para o CDC (Centers for Disease Control and Prevention) é de 0,3%; no entanto, a taxa é de 1,8% entre adultos acima de 50 anos de idade.1
O VHA é encontrado nas fezes de pessoas infectadas pelo vírus. O vírus da hepatite A é normalmente disseminado ao colocar algum objeto boca que esteja contaminado pelas fezes de outra pessoa com o vírus da hepatite A. Dissemina-se geralmente através do contato doméstico com uma pessoa infectada, contato sexual, ingestão de alimento ou de água contaminada, ao compartilhar utensílios de refeição que estão contaminados e ao tocar superfícies contaminadas, colocando então, as mãos próximas ou dentro da boca.2
A infecção pelo VHA é comum (endemicidade alta ou intermediária) em todos os países em desenvolvimento, nos quais as infecções são mais freqüentemente adquiridas no início da infância e normalmente são assintomáticas ou leves. Nos países desenvolvidos, a infecção pelo VHA é menos comum (baixa endemicidade), porém, em algumas áreas dos Estados Unidos, ainda é possível que ocorram surtos em toda a comunidade.1
A hepatite B é uma patologia do fígado causada pelo vírus da hepatite B (VHB). As manifestações clínicas da infecção pelo VHB variam em gravidade, de assintomática à hepatite fulminante.
Os sintomas e sinais clínicos incluem náusea, vômito, dor abdominal e icterícia. Podem ocorrer erupções cutâneas, dores articulares e artrite. Os sintomas como mal-estar e anorexia podem anteceder a icterícia em 1-2 semanas. A taxa caso-fatalidade é cerca de 1%. O período de incubação médio do vírus da hepatite B é de 120 dias (faixa de 45-160 dias). A infecção aguda pelo VHB causa infecção crônica (longo prazo) em 30%-90% dos bebês e crianças infectados e, em 6%-10% dos adolescentes e adultos infectados. A infecção crônica pode levar à doença hepática crônica, cicatrização hepática (cirrose) e ao câncer hepático.
O VHB é transmitido por meio de atividades que envolvem contato com sangue ou hemoderivados. Estas atividades podem incluir relação sexual sem proteção com parceiro infectado pelo VHB; compartilhamento de agulhas usadas na aplicação de drogas ilícitas; trabalho em locais que prestam serviços de cuidado com a saúde (médicos, dentistas, laboratórios de análises clínicas entre outros) que exigem a exposição direta com sangue humano; recebimento de transfusões de sangue que não foi submetido à triagem quanto ao VHB; realização de procedimentos dentários, médicos ou cosméticos como, por exemplo, tatuagem ou colocação de piercing com agulhas ou outros equipamentos contaminados com o VHB. Além disso, lesões cutâneas abertas como aquelas resultantes do impetigo, escabiose ou arranhões em virtude de picadas de insetos, podem desenvolver um papel na transmissão do VHB.
A prevalência da infecção crônica pelo VHB é baixa, menos de 2% na população em geral, no norte e oeste da Europa, América do Norte, Austrália, Nova Zelândia, México e Sul da América do Sul. Nos Estados Unidos e em vários outros países desenvolvidos, crianças e adolescentes recebem vacinação de rotina contra a hepatite B. A maior incidência da doença ocorre em adultos com menos idade e a maior parte das infecções pelo VHB é adquirida por meio de relação sexual sem proteção com parceiro infectado pelo VHB ou compartilhamento de agulhas usadas na aplicação de drogas ilícitas. A prevalência da infecção crônica pelo VHB é intermediária (2%-7%) no Sul da Ásia Central e Sudoeste Asiático, Israel, Japão, Leste e Sul Europeu, Rússia, na maior parte das áreas ao redor da bacia do rio Amazonas, Honduras e Guatemala. A prevalência da infecção crônica pelo VHB é alta, maior que 8% em todos os grupos sócio-econômicos em certas áreas: toda a África; Sudeste Asiático, incluindo a China, Coréia, Indonésia e as Filipinas; Oriente Médio, à exceção de Israel; ilhas do Sul e Oeste do Pacífico; interior da bacia do rio Amazonas; e algumas partes do Caribe (Haiti e República Dominicana).
A gripe é uma doença respiratória contagiosa causada pelo vírus influenza. O vírus da gripe se dissemina principalmente de indivíduo para indivíduo através da tosse ou espirro de pessoas com gripe. Às vezes a infecção ocorre pelo toque em algum objeto contaminado com o vírus da gripe e depois levando a mão à boca ou ao nariz. A maioria dos adultos saudáveis podem infectar outros indivíduos um dia antes do desenvolvimento dos sintomas e até 5 dias depois de adoecer.1
O vírus influenza pode causar doença leve a grave, podendo levar à morte. A melhor maneira de prevenir a gripe é a vacinação anual. Alguns indivíduos tais como idosos, crianças pequenas e outras que apresentam determinadas condições de saúde, estão sujeitas ao alto risco de complicações graves da gripe.1
A gripe é diferente de um resfriado. A gripe geralmente manifesta-se de forma súbita e apresenta sintomas como febre alta, dor de cabeça, cansaço extremo, tosse seca, dor de garganta, coriza ou nariz entupido e dores musculares. Também podem ocorrer sintomas estomacais, tais como náusea, vômito ou diarréia, porém são mais comuns em crianças do que em adultos. As complicações da gripe podem incluir pneumonia bacteriana, infecções do ouvido, sinusite, desidratação e agravamento de quadros clínicos, tais como insuficiência cardíaca congestiva, asma ou diabetes. Já o resfriado manifesta-se de fora progressiva, como sintomas como coriza, congestão nasal, espirros, dor de garganta, tosse, febre ausente ou baixa e sua recuperação ocorre de forma rápida.2
O vírus influenza A é adicionalmente classificado em dois subtipos com base em dois antígenos de superfícies: hemaglutinina (H) e neuraminidase (N). Embora o víru influenza A e B sofram uma alteração antigênica contínua mínima, o víru influenza B evolui mais lentamente e não se divide em subtipos. O víru influenza A (H1N1), A (H1N2), A (H3N2) e influenza B circulam atualmente em nível mundial.2
No hemisfério norte, as epidemias de gripe sazonais geralmente ocorrem durante os meses de inverno, anualmente ou praticamente anualmente. São responsáveis por cerca de 36.000 mortes a cada ano, nos Estados Unidos. A infecção pelo vírus influenza causa doença em todas as faixas etárias. As taxas de infecção mais elevadas estão entre os bebês, crianças e adolescentes. Porém, as taxas de morbidade e mortalidade mais elevadas ocorrem entre pessoas com 65 anos de idade e pessoas de qualquer faixa etária com condições clínicas que as colocam em um alto risco de desenvolvimento de complicações em virtude da gripe (por exemplo, doença cardiopulmonar crônica). Crianças com menos de 2 anos de idade apresentam taxas de hospitalização em virtude da gripe tão elevadas quanto as observadas em idosos. O surgimento de um novo vírus influenza A humano pode levar a uma pandemia global, durante a qual as taxas de morbidade e mortalidade em decorrência de complicações relacionadas à gripe podem aumentar de forma dramática.2
A varicela (catapora) é uma infecção primária causada pelo vírus da varicela-zoster (VZV). É uma doença aguda, altamente contagiosa que se manifesta em todo o mundo. Nos climas temperados, a maioria dos casos ocorrem antes dos 10 anos de idade. A epidemiologia é menos bem compreendida nas áreas tropicais onde em alguns países, uma taxa relativamente grande de adultos é soronegativa.1
A transmissão ocorre via gotículas, aerossol ou contato direto, e os pacientes se tornam contagiosos desde alguns dias antes do aparecimento das feridas até que todas elas tenham formado crosta. Embora seja um transtorno leve na infância, a varicela tende a ser mais grave em adultos. Caracteriza-se por uma erupção vesicular com coceira, geralmente começando no couro cabeludo e face, e inicialmente acompanhada por febre e indisposição. À medida que a erupção se alastra, gradativamente, para o tronco e extremidades, as primeiras vesículas secam. Normalmente leva 7 a 10 dias para que todas as crostas desapareçam. A doença pode ser fatal, especialmente em recém-nascidos e em indivíduos imunocomprometidos. As complicações incluem pneumonite ou encefalite induzida pelo vírus da varicela zoster (VZV) e infecções invasivas por estreptococos do grupo A. Depois da infecção, o vírus permanece latente nos gânglios neurais; numa reativação subseqüente, o VZV pode causar herpes zóster, uma doença que afeta principalmente indivíduos imunocomprometidos e idosos.1
Antes da introdução da vacina contra a varicela nos Estados Unidos, em 1995, a doença era endêmica e praticamente todas as pessoas eram infectadas na fase adulta. Desde a implementação do programa de vacinação contra varicela, a incidência diminuiu em todos os grupos etários, e o maior declínio foi observado entre crianças na faixa etária entre 1-4 anos. Os dados da vigilância passiva e ativa indicaram uma queda nos casos de varicela de 70%-84% entre 1995 e 2001, em áreas com cobertura vacinal de 73%-84% entre crianças com 19-35 meses.2
O Streptococcus pneumoniae (pneumococo) é um patógeno bacteriano que afeta crianças e adultos em todo o mundo. A doença é transmitida de pessoa a pessoa. É uma importante causa de doença em crianças pequenas e de letalidade em idosos e pessoas que sofrem de quadros clínicos subjacentes. A bactéria coloniza o trato respiratório superior, podendo causar infecções invasivas disseminadas, inclusive bacteremia, meningite, pneumonia e outras infecções do trato respiratório inferior e infecções do trato respiratório superior, inclusive otite média e sinusite.1
A morte ocorre em 14% dos pacientes internados com doença invasiva. Pacientes com meningite estão sujeitos a seqüelas neurológicas e/ou transtornos do aprendizado. A otite média recorrente pode prejudicar a audição.2
Os indivíduos expostos a maior risco de infecção são os idosos, crianças com menos de dois anos de idade, negros, índios americanos e nativos do Alaska, crianças que freqüentam creches e pessoas com quadros clínicos subjacentes, incluindo infecção por HIV e anemia falciforme.2
Até o ano 2000, as infecções por S. pneumoniae foram a causa de 100.000-135.000 internações por pneumonia, 6 milhões de casos de otite média e 60.000 casos de doença invasiva, incluindo 3.300 casos de meningite. A incidência de infecções do sítio estéril mostrou variação geográfica de 21 a 33 casos por 100.000 indivíduos. Os números da doença estão agora mudando devido à introdução da vacina conjugada; em 2002 a taxa da doença invasiva foi de 13 casos por 100.000 nos Estados Unidos.2
A doença meningocócica é causada pelo meningococo (Neisseria meningitidis). Os meningococos são classificados em sorogrupos com base na composição do polissacarídeo capsular. Os cinco principais sorogrupos meningocócicos associados à doença são A, B, C, Y e W-135.1 O meningococo foi identificado em 1887.2
A Neisseria meningitidis coloniza e infecta apenas a nasofaringe do homem. O meningococo é transmitido de pessoa a pessoa por meio de contato com secreções respiratórias ou por inalação de gotículas em aerossóis3. O contato estreito e prolongado, como por exemplo, beijo, espirro e tosse, convivência em cômodos ou dormitórios fechados, uso comum de utensílios de comer ou beber, facilitam a disseminação da doença. O período médio de incubação é de 4 dias, variando entre 2 e 10 dias.2 Após a colonização da nasofaringe, existe a chance de desenvolver a doença meningocócica invasiva, que dependerá de fatores como, por exemplo, virulência da cepa e estado imune do hospedeiro. A infecção invasiva pode resultar em meningite, meningococcemia ou ambas.3
A meningite é uma infecção das meninges (membrana fina que envolve o cérebro e a medula espinhal). Várias bactérias diferentes podem causar meningite, sendo a Neisseria meningitidis uma das mais importantes devido ao seu potencial para causar epidemias. Os sintomas mais comuns consistem em rigidez do pescoço, febre alta, sensibilidade à luz, confusão, dores de cabeça e vômito. Mesmo quando a doença é diagnosticada precocemente e é adequadamente tratada, 5% a 10% dos pacientes morrem, geralmente entre 24 a 48 horas depois da manifestação dos sintomas. A meningite bacteriana pode resultar em dano ao cérebro, perda da audição ou transtorno de aprendizado em 10 a 20% dos sobreviventes.2
Uma forma menos comum, porém mais grave (freqüentemente fatal) da doença meningocócica é a meningococcemia, caracterizada por um rash hemorrágico e rápido colapso circulatório.2
A doença meningocócica ocorre em todo o mundo e afeta todas as faixas etárias. Anteriormente, a proporção caso-fatalidade era superior a 50%, mas o diagnóstico precoce, as terapias modernas e as medidas de suporte reduziram a proporção caso-fatalidade para cerca de 10%. Entre os sobreviventes, 11%-19% apresentam seqüelas de longo prazo, incluindo perda auditiva, incapacidade neurológica ou perda de um membro. Até 10% das populações de países com a doença endêmica transportam a bactéria (Neisseria meningitidis) de forma assintomática no nariz e na garganta.1
No "cinturão da meningite", na África subsaariana, que se estende de Mali à Etiópia, os picos da doença meningocócica por sorogrupo A ocorrem regularmente durante a estação seca (dezembro a junho). Além disso, as principais epidemias ocorrem a cada 8-12 anos (vide Mapa 4-9). Em 2000, houve uma epidemia por sorogrupo W-135 na Arábia Saudita associada à peregrinação a Hajj. Também ocorreram casos em peregrinos que retornaram para suas famílias, incluindo vários casos nos Estados Unidos. Em 2002, em Burkina Faso, houve uma epidemia de doença meningocócica importante causada pelo sorogrupo W-135. Em 2003 e 2004, o sorogrupo W-135 foi detectado em vários países da África, mas que também não causaram epidemias significativas. A doença meningocócica continua a causar epidemias além do cinturão da meningite, inclusive epidemias recentes em Grandes Lagos, África.1
O sarampo é causado por um vírus RNA, pertencente ao gênero Morbillivirus, da família Paramyxoviridae. É uma doença viral aguda, altamente contagiosa, capaz de produzir epidemias. O sarampo não é considerado uma doença grave, porém pode ser muito grave se surgirem complicações.1
Os sintomas geralmente aparecem após 10 a 12 dias da infecção, inicialmente parecido com um resfriado, nariz escorrendo, tosse e febre branda. Os olhos podem ficar avermelhados e sensíveis à luz. À medida que a doença avança, e geralmente entre o terceiro e sétimo dia, a temperatura pode chegar a 39-41ºC e aparecer uma erupção cutânea, que dura de quatro a sete dias. A erupção cutânea caracteriza-se por exantema maculopapular, com locais de confluência. No início, estes exantemas afetam a face para depois se espalhar por todo o corpo. Também podem aparecer na gengiva e na parte interna das bochechas pequenas manchas brancas (manchas de Koplik). Não há tratamento específico para o sarampo. A infecção confere imunidade contra o vírus para o resto da vida.1
Entre as complicações mais freqüentes em crianças estão otite média, broncopneumonia, diarréia e laringo-traqueobronquite. Em alguns casos, cerca de 1 em 1.000, os pacientes com sarampo desenvolvem inflamação do tecido cerebral (encefalite). Muito raramente, uma infecção persistente pelo vírus do sarampo pode levar a panencefalite esclerosante subaguda (PESA) que é uma complicação degenerativa tardia do sistema nervoso central.1
O vírus do sarampo se dissemina muito facilmente de indivíduo a indivíduo através de gotículas da tosse, espirros e corrimento nasal. Um quadro de sarampo é infeccioso 4 dias antes da manifestação de exantemas até quatro dias depois do seu aparecimento.1
A cada ano, mais de 30 milhões de pessoas são acometidas pelo sarampo. Em 2004, houve uma estimativa de 454.000 mortes por sarampo em todo o mundo, isto significa mais de 1.200 morte/dia. Mais de um milhão de crianças morrem de sarampo a cada ano, especialmente crianças desnutridas cujo sistema imune não é suficientemente forte para combater a infecção. Cerca de 98% dessas mortes ocorrem em países em desenvolvimento, a maioria no continente africano. Em muitos países europeus, o sarampo é ainda uma grande preocupação de saúde pública. A doença continua a se disseminar principalmente porque ainda não foi alcançado o grau de cobertura vacinal necessária para interromper a transmissão.1 Nos países em que o sarampo foi amplamente eliminado, casos importados de outros países constituem importante fonte de infecção.2
A caxumba é uma doença viral caracterizada por febre, edema e sensibilidade de uma ou mais glândulas salivares, normalmente a parótida e, eventualmente, as glândulas sublingual ou submaxilar.1 O vírus da caxumba pertence ao gênero Rubulavirus, da família Paramyxoviridae.2 A caxumba geralmente acomete crianças, embora os adultos também possam contrair a doença.3
A caxumba é transmitida de pessoa a pessoa através da tosse e espirro e por contato direto com a saliva e secreções do nariz e garganta de indivíduos infectados. O contágio acontece três dias antes e quatro dias após a manifestação dos sintomas.3
Os sintomas geralmente se manifestam 16 a 18 dias depois após a infecção. Nos casos leves, o inchaço pode durar apenas três ou quatro dias, porém pode chegar a uma semana ou mais. Aproximadamente um terço das pessoas infectadas são assintomáticas. A maioria das complicações envolve outros órgãos, podendo causar dor e inchaço dos testículos, surdez e artrite. Também pode causar transtornos do sistema nervoso central, tais como encefalite e meningite. Outras complicações consistem em inflamação do pâncreas e das mamas e surdez.3 Não há tratamento específico para a caxumba. Para aliviar os sintomas, recomenda-se o uso de analgésicos e enxágüe bucal regular.3
Antes da década de 60, a caxumba era uma doença infecciosa comum em todas as partes do mundo com incidências anuais que variavam aproximadamente entre 0,1% - 1% até 6% em algumas populações. Em locais de clima quente, a doença é endêmica durante o ano todo, ao passo que em regiões de clima temperado os picos de incidência ocorrem no inverno e na primavera. Nos países em que as vacinas contra a caxumba foram introduzidas no final da década de 60, a incidência de caxumba reduziu drasticamente. Na maior parte do mundo, a incidência anual de caxumba varia entre 100-1.000 casos para cada 100.000 habitantes.4
A rubéola é causada por um RNA vírus, da família Togavirus, gênero Rubivirus. Geralmente é uma doença viral leve, porém altamente contagiosa que representa uma séria ameaça ao feto se a mãe contrair a doença durante a gravidez. A rubéola ocorre apenas em seres humanos e é principalmente uma doença infantil, embora adolescentes e adultos também possam ser afetados.1
A rubéola pode apresentar alguns ou nenhum sintoma. Na maioria dos casos, os sintomas aparecem dentro de 16 a 18 dias sob forma de rash, febre branda, dor nas articulações, dor de cabeça, indisposição, corrimento nasal e vermelhidão nos olhos. Dor nas articulações, dor de cabeça, inapetência e dor de garganta são mais comuns em adolescentes e adultos infectados do que em crianças. O nódulo linfático logo atrás do ouvido e na nuca podem inchar, causando alguma inflamação ou dor. O rash, que pode causar coceira, aparece primeiro na face e progride da cabeça aos pés, por cerca de três dias. Metade de todos os casos de rubéola ocorre sem rash.1
O vírus da rubéola, infectando uma mulher grávida não-imune, poderá atuar na placenta e/ou no feto e o risco da infecção congênita e da SRC (Síndrome da Rubéola Congênita) dependerá da idade gestacional em que ocorre a infecção pelo vírus da rubéola. O risco decresce com o aumento da idade gestacional.2 O recém-nascido pode nascer com um ou mais defeitos inatos, que em conjunto, são referidos como Síndrome da Rubéola Congênita (SRC). É reconhecida pelo retardo do crescimento, malformações do coração, olhos e cérebro, surdez e problemas de fígado, baço e medula óssea.1
A rubéola se dissemina de indivíduo para indivíduo através da tosse ou espirro. A rubéola também se alastra pelo contato direto com secreções do nariz ou da garganta de indivíduos infectados. A rubéola pode ser transmitida sete dias antes até sete dias depois da manifestação de rash.1
Durante os anos 90, a incidência de rubéola entre crianças com menos de 15 anos diminuiu (0,63 versus 0,06 por 100.000 indivíduos em 1990 versus 1999), enquanto que a incidência entre adultos de 15 a 44 anos aumentou (0,13 versus 0,24 por 100.000 em 1990 versus 1999). Desde 2001, entretanto, a incidência tanto entre indivíduos com menos de 15 anos e aqueles entre 15 e 44 anos de idade tem sido menor do que em 10/1.000.000 de indivíduos.3
Entre meados de 1990 e 2000, a maioria dos casos relatados ocorreu entre pessoas de etnia hispânica; a maioria dessas pessoas nasceu fora dos Estados Unidos. Em 1992, a incidência entre hispânicos foi de 0,06, e aumentou até um máximo em 1998 de 0,97 por uma população de 100.000. Desde 2001, menos de 50% dos casos ocorreram entre pessoas de etnia hispânica. Durante os anos 90 e em 2000, ocorreram surtos de rubéola entre membros de comunidades religiosas que tradicionalmente recusam vacinar-se e entre adultos de países sem história de programas de vacinação de rotina contra a rubéola. Desde 2001, foram relatados dois surtos, cada um com até cinco casos.3
A raiva é uma doença viral,causada pelo vírus da família Rhabdoviridae, gênero Lyssavirus. A forma mais comum de transmissão do vírus é por meio de ferimentos na pele causados por mordeduras e arranhaduras de animais doentes. A pele intacta é uma barreira importante ao vírus, mas as mucosas são permeáveis mesmo quando intactas, por isso, a lambedura das mucosas também é uma via importante de transmissão. Acredita-se que todos os mamíferos sejam suscetíveis, mas os reservatórios são os carnívoros e morcegos. O vírus da raiva infecta o sistema nervoso central, causando encefalopatia levando a morte.1
Os primeiros sintomas da raiva podem ser sintomas não específicos, como indisposição, febre ou dor de cabeça que podem durar dias. Pode haver desconforto ou parestesia no local da exposição (mordida), progredindo dentro de dias para sintomas de disfunção cerebral, ansiedade, confusão, agitação, delírios, comportamento anormal, alucinações e insônia. O período agudo da doença termina geralmente após 2 a 10 dias do início dos sintomas. Quando se manifestam os sinais clínicos da raiva, a doença é quase sempre fatal, e o tratamento é, de um modo geral, de suporte. A morte ocorre dentro de dias da manifestação dos sintomas. A prevenção da doença é inteiramente profilática e inclui anticorpos passivos (imunoglobulina) e vacina. Exceções não letais são extremamente raras.1
Vários fatores podem afetar o desfecho da exposição à raiva. Estes incluem a variante do vírus, a dose do inóculo viral, a via e local da exposição, assim como fatores individuais do hospedeiro, como idade e situação do sistema imunológico.1
Dados confiáveis sobre a raiva são escassos em muitas áreas do mundo, o que dificulta a avaliação de todo o seu impacto sobre a saúde humana e animal. A OMS autorizou uma reavaliação da sobrecarga da raiva em 2004. De acordo com este estudo, estima-se que o número anual de mortes em todo o mundo em decorrência da raiva seja de 55.000, principalmente nas áreas rurais da África e da Ásia. Estima-se que 10 milhões de pessoas recebam tratamentos após a exposição a cada ano, depois de serem expostas a animais com suspeita de raiva.2
A avaliação mostra que a Ásia abrange uma maior parte da sobrecarga de saúde pública da raiva com uma estimativa de 31.000 mortes, embora a estimativa em relação à África de 24.000 mortes seja muito maior do que se acreditava inicialmente. A raiva está presente em todos os continentes, exceto o antártico. Em certas áreas do mundo, a raiva canina continua altamente endêmica, incluindo partes do Afeganistão, Bangladesh, Brasil, Bolívia, China, Colômbia, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Índia, Indonésia, México, Myanmar (Burma), Nepal, Paquistão, Peru, Filipinas, Sri Lanka, Tailândia, Vietnã e Iêmen.2
Também há relatos de quedas dramáticas de casos de raiva em humanos nos últimos anos na América do Sul e em alguns países asiáticos após a implementação de programas de melhoria do tratamento de humanos após a exposição e vacinação de cães.2
A cólera é uma infecção intestinal aguda, causada pela ingestão de água ou alimentos contaminados pela bactéria. A infecção é freqüentemente leve ou assintomática, porém às vezes pode ser grave. Aproximadamente uma em 20 pessoas infectadas apresenta a forma grave da doença. O Vibrio cholerae tem curto período de incubação e produz uma enterotoxina que causa diarréia aquosa e indolor que pode levar a desidratação grave e morte se o tratamento não for iniciado rapidamente. Na maioria dos pacientes também ocorre vômito.1,2
A maioria das pessoas infectadas com o V. cholerae não adoece, embora a bactéria esteja presente em suas fezes durante 7-14 dias. Quando a doença se manifesta, cerca de 80-90% dos episódios são de gravidade leve a moderada, sendo difícil distinguí-los clinicamente de outros tipos de diarréia aguda.1,2
A partir de 1961, o V. cholerae se disseminou da Indonésia até a maior parte da Ásia à Europa Oriental e África, e do Norte da África até a Península Ibérica. Em 1991, houve uma grande epidemia no Peru que se disseminou para os países vizinhos no Hemisfério Ocidental. Em 2003, foram relatados 111.575 casos de 45 países para a OMS.3
Embora a cólera possa representar uma ameaça à vida, ela pode ser facilmente prevenida e tratada. Nos Estados Unidos, devido aos sistemas avançados de tratamento de água, a cólera não é uma ameaça importante; entretanto, todos os indivíduos, especialmente os viajantes, devem estar cientes de como esta doença é transmitida e o que deve ser feito para prevení-la.2
O vírus da febre amarela, flavivirus, é transmitido ao ser humano através da picada de mosquitos infectados. O período de incubação (tempo entre a infecção e a manifestação da doença) é geralmente de 3 a 6 dias. A doença é diagnosticada com base nos sintomas, achados físicos, exames laboratoriais, e a possibilidade de exposição a mosquitos infectados. Não há tratamento específico para a febre amarela; os cuidados estão baseados nos sintomas. As etapas para prevenção da febre amarela incluem o uso de repelentes de insetos, roupa de proteção e vacinação. A febre amarela ocorre nas regiões tropicais da África e em partes da América do Sul.1
A gravidade da enfermidade varia de uma doença febril auto-limitada a hepatite grave e febre hemorrágica. Muitos dos casos de febre amarela são leves, porém a doença pode ser grave e representar ameaça à vida. Os sintomas de infecção grave são febre alta, calafrios, dor de cabeça, dores musculares, vômito e dor nas costas. Após um curto período de recuperação, a infecção pode levar a choque, sangramento e insuficiência renal e hepática. O nome “febre amarela” vem da insuficiência hepática que causa icterícia (cor amarelada da pele e do branco dos olhos). Infecções graves por febre amarela podem ser fatais. Os índices caso-fatalidade da doença grave variam de 15% a mais de 50%.1
Existem dois tipos de febre amarela causadas por dois ciclos diferentes de infecção:1
- A febre amarela silvestre (ocorre principalmente em macacos): é disseminada por mosquitos infectados em macacos das matas tropicais. A transmissão ocorre quando o indivídui é picado por mosquitos que se infeccionaram após alimentar-se de macacos infectados. A febre amarela silvestre é rara e ocorre principalmente entre os indivíduos que habitam ou trabalham nas matas tropicais.
- A febre amarela urbana (ocorre em seres humanos): é disseminada por mosquitos que foram infectados a partir de outras pessoas. O Aedes aegypti é o tipo de mosquito que geralmente transmite a febre amarela de um ser humano para outro. Esses mosquitos se adaptaram à vida urbana. Sua larva cresce em pneus abandonados, vasos de flores, tambores e recipientes de armazenamento de água localizados perto das moradias humanas. A febre amarela urbana é a causa da maioria dos surtos e epidemias de febre amarela.
A doença ocorre apenas na África Subsaariana e na América do Sul tropical onde é endêmica e epidêmica de forma intermitente. Na África, onde se registra a maioria dos casos, a variedade de vetores é responsável pela transmissão do vírus. A taxa caso-fatalidade é >20% e o risco máximo de infecção ocorre entre bebês e crianças. Na América do Sul, os casos ocorrem mais freqüentemente entre homens com menos idade com exposição ocupacional aos vetores do mosquito que vive em florestas em áreas arborizadas ou de transição da Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Venezuela, Guiana, Guiana Francesa e Peru.2
A febre tifóide é causada pela bactéria Salmonella Typhi. A doença é quase exclusivamente transmitida por água e alimentos contaminados por fezes e urina de pacientes infectados. A água poluída é a fonte mais comum da transmissão da febre tifóide. Além disso, hortaliças fertilizadas com esterco humano e consumidas cruas, leite e produtos lácteos contaminados têm demonstrado ser fonte de infecção.
Os sintomas geralmente se manifestam um a três semanas após a exposição, podendo ser leves ou graves. Os principais sintomas consistem em febre alta, indisposição, dor de cabeça, constipação ou diarréia, manchas rosadas no tórax e baço e fígado aumentados. Ao quadro de portador saudável pode-se seguir a doença aguda. Têm sido descritas várias formas com entorpecimento mental e meningite.
A febre tifóide continua sendo um problema grave de saúde pública em todo o mundo, com uma estimativa de 16 a 33 milhões de casos e 500.000 a 600.000 mortes anualmente. Praticamente em todas as áreas endêmicas, a incidência de febre tifóide é maior em crianças de 5 a 19 anos de idade. A febre tifóide foi praticamente eliminada na maioria dos países do mundo industrializado com o advento de instalações sanitárias adequadas. Nos países desenvolvidos, a maioria dos casos é importada de países com a doença endêmica.
Considerando o desenvolvimento de múltipla resistência aos atuais antibióticos e as dificuldades de introdução de medidas básicas de higiene em muitos países, a luta contra a febre tifóide é agora mais do que nunca dependente da prevenção vacinal.